A curto prazo e de imediato, devemos mudar de atitude e tomarmos a iniciativa de ir ao sector produtivo com a proposta de memorandos de entendimento para uma cooperação institucional, através do envio de estudantes para estágios profissionais como parte da sua formação académica”.
O economista e docente universitário José Chichava considera que as dificuldades de integração dos graduados do ensino superior no mercado de emprego devem-se a uma série de factores, entre os quais, a “ausência ou deficiente coordenação, na elaboração de curricula, entre a academia, o sector laboral, a sociedade e o Governo”.
Chichava, que falava em oração de sapiência durante a abertura oficial do ano académico da UEM, evento que teve lugar ontem na capital do país sob o tema “Integração de Graduados do Ensino Superior no Mercado do Trabalho”, afirmou que a alta de desemprego dos quadros nacionais é justificada também pela “ausência ou insuficiente coordenação entre os vários programas sectoriais de desenvolvimento”, ao mesmo tempo que se verifica, no país, uma crise de expansão do ensino superior e insuficiente capacidade de inspecção e controlo de qualidade do mesmo”.
Falando ainda a este propósito, o académico referiu que “não estamos a conseguir acompanhar o ritmo e intensidade das mudanças” impostas pelas alterações sociais, da economia, nas academias, e no modus vivendi.
Défice de quadros para a indústria extractiva
José Chichava considera o sector extractivo nacional como promissor para a absorção da mão-de-obra de quadros nacionais, mas indica que “há um desalinhamento dos esforços do ensino superior com as necessidades do sector privado”, a avaliar pela evolução das instituições de ensino superior em termos de graduados, quando confrontada com os “desafios que se aproximam de forma célere na indústria extractiva, particularmente na pesquisa e prospecção do carvão, gás natural, areias pesadas, ferro, fosfatos, entre outros.”
Para o responsável, “a dinâmica económica do país sugere-nos uma escassez de técnicos superiores da área de engenharia, geologia, química, mineração, gestão agro-industrial, etc”.
Ao mesmo tempo “os mega-projectos não são, neste momento, a solução óptima para a integração da mão-de-obra para o mercado de trabalho, uma vez que estes têm uma tendência de ser intensivos em mão-de-obra em fase de implementação, sendo intensivos em capital (utilizam mais máquinas que homens no processo produtivo). Assim, ainda segundo Chichava, o desafio é a formação de mão-de-obra qualificada nacional, para evitar que estas empresas tragam trabalhadores estrangeiros.
Formar para os sectores com maior potencial empregador
As áreas da agricultura, mineração, hotelaria e turismo, tecnologias de informação e comunicação, manutenção industrial, etc, são as mais adaptadas para absorver quadros superiores moçambicanos, na opinião do economista. Deste modo, “a curto prazo e de imediato, devemos mudar de atitude e tomarmos a iniciativa de ir ao sector produtivo com a proposta de memorandos de entendimento para uma cooperação institucional, através do envio de estudantes para estágios profissionais como parte da sua formação académica”, sugeriu o economista.
Fonte: O País