Bolsas de estudo consumiram cerca de 150 milhões de meticais
Neste momento, o país conta com 2 200 bolseiros, dos quais perto de 1 700 estão a estudar dentro do país e os restantes no exterior.
O governo moçambicano desembolsou, no ano passado, cerca de 150 milhões de meticais para o pagamento de bolsas de estudos - todas as despesas dos beneficiários - para pouco mais de dois mil estudantes nacionais que se encontram a frequentar cursos nas universidades nacionais e no exterior.
Trata-se de um valor que o Instituto de Bolsas de Estudo, IBE, através do seu director, Octávio de Jesus, considera bastante elevado.
Cerca de 70% dos 2 200 - total dos estudantes beneficiários de bolsas -, o equivalente a 1 700 estudantes, frequentam universidades nacionais públicas e privadas. Os restantes, cerca de 400, encontram-se a estudar no exterior. O Estado garante aos bolseiros o pagamento de todas as despesas desde o voo (para os que estudam fora do país), alimentação, alojamento, para além das suas propinas.
Em entrevista, ontem, em Maputo, à margem do Conselho Nacional de Bolsas de Estudo, que decorreu ontem, Octávio de Jesus disse que “ainda não há perspectivas de número de bolsas que estão disponíveis para o próximo ano”, tudo porque ainda se desconhece o “bolo financeiro” que o Estado vai disponibilizar para este sector no próximo ano.
Contudo, disse Octávio de Jesus, o importante é garantir a manutenção dos que já estão no sistema porque, ano passado, “abriu-se uma janela muito grande de bolseiros”. Ou seja, a quase mil estudantes foram dadas bolsas, pelo que é preciso dá-los a “devida assistência”.
O Conselho Nacional de Bolsas, realizado ontem, juntou quase todos os membros que o compõe, com maior enfoque para os financiadores, nomeadamente, o Banco Mundial e alguns representantes das embaixadas. Também tomaram parte do encontro os representantes provinciais, directores de algumas escolas secundárias e representantes dos estudantes beneficiários.
Apesar de não se avançar valores, consta que o Banco Mundial é o maior financiador das bolsas de estudo no país.
Intervindo na ocasião de abertura, o ministro da Educação, Zeferino Martins, destacou a necessidade de massificar esta responsabilidade de atribuição de bolsas aos moçambicanos necessitados. Nesse contexto, disse, o Ministério da Educação está consciente da necessidade de se fomentar a interacção com os diversos sectores que contribuem na formação de quadros no país.
Martins falou, igualmente, da necessidade de se estabelecer cada vez mais parcerias internas e externas para o financiamento de bolsas. Neste capítulo, o ministro da Educação destacou o programa de bolsas empréstimo, financiado pela Fundação Lurdes Mutola, cuja implementação começa próximo ano.
Trata-se de um programa no âmbito do qual os interessados podem concorrer a um fundo para suportar os seus estudos durante um período de tempo, fora ou dentro do país, a título de empréstimo e que o reembolso será feito de forma faseado, logo que o beneficiário começar a trabalhar.
Para além desta instituição, o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento e a Universidade de Oklahoma também têm dado o seu contributo no desenvolvimento do ensino em Moçambique, com maior enfoque para o superior.
Fonte: O País
