Bolsas de estudo: Pedidos sufocam oferta
As necessidades de bolsas de estudo são cada vez maiores e a capacidade de resposta ainda não é a desejada, uma vez que existe uma forte dependência em relação aos recursos financeiros disponibilizados anualmente para esta actividade.
Segundo dados apresentados ontem, em Maputo, pelo Instituto de Bolsas de Estudo (IBE) que está reunido no seu II Conselho Nacional, apesar dos esforços que vem sendo feitos para dar resposta a todas as solicitações, a demanda tem sido maior o que obriga à adopção de procedimentos eficazes e coerentes no processo de atribuição de bolsas de estudo para os diferentes níveis sobre os quais recai a solicitação.
Assim, o Instituto de Bolsas de Estudo, uma entidade do Ministério da Educação, tem sob sua gestão um total de 2.227 bolseiros moçambicanos, tanto dentro como fora do país, sendo que 1.648 frequentam diferentes instituições do ensino público e privado no território nacional, o que representa 74 porcento. Este número não inclui os 110 bolseiros que se graduaram no exterior e regressaram ao país entre Setembro de 2010 e Junho do presente ano. O IBE tem ainda sob a sua responsabilidade 579 bolseiros a frequentar diferentes cursos e níveis de ensino em 25 países, o que representa 26 porcento.
As bolsas de estudo a nível interno são financiadas pelo Orçamento do Estado num total de 849, comportando as componentes inscrição e ou matricula, propina e subsidio de subsistência e a parte restante, num total de 799, recebe o financiamento do Banco Mundial no âmbito do Programa das Bolsas de Estudo Provinciais. Do total de bolseiros, 1.370 são do sexo masculino, 2.012 estão a fazer cursos de Licenciatura, enquanto para os níveis de Mestrado e Doutoramento estão 181 e 20 bolseiros, respectivamente.
Por áreas de formação, as Ciências Sociais apresentam o maior número de estudantes, ou seja, possuem 1.145 bolseiros e as Ciências Naturais e Exactas contam com 1.082. Maputo com 332 estudantes bolseiros situa-se em primeiro lugar, seguida pelas províncias de Nampula, Tete e Sofala, com 201, 165 e 161, respectivamente. Inhambane (152) e Gaza (138), situam-se nas posições intermédias, enquanto que Zambézia (133), Cabo Delgado (126), Manica (121) e Niassa (119), ocupam as últimas posições.
Intervindo na abertura do II Conselho Nacional de Bolsas, o Ministro da Educação, Zeferino Martins, referiu que ao se abordar a questão de Bolsas de Estudo, pretende-se, ao mesmo tempo, reconhecer que se está perante um instrumento de unidade nacional que merece grande atenção pela sua dimensão e alcance social. Neste contexto, segundo ele, a Educação é eleita sector de capital importância, por constituir um factor indispensável para a continuação da construção de uma sociedade moçambicana baseada nos ideais de liberdade, da democracia e de justiça social e também como instrumento principal da formação e preparação da juventude, para a sua participação efectiva na edificação do País.
“Face a estas premissas, a nossa missão é de reflectirmos em conjunto sobre as melhores estratégias para a concretização das nossas aspirações, destacando-se a redução da pobreza e a promoção do desenvolvimento, através da expansão de oportunidades de acesso à formação a níveis cada vez mais elevados dos cidadãos moçambicanos. O processo de atribuição, coordenação e gestão de Bolsas de Estudo, assegura a materialização da política e das prioridades definidas pelo Governo em cada etapa, permitindo que os recursos disponíveis sejam racionalizados e adequadamente utilizados na formação do capital humano” – disse Martins.
O ministro apelou para que o processo de atribuição de bolsas seja massificado, elevando a responsabilidade do (IBE) para a divulgação, disseminação, socialização e a popularização, indo até às zonas mais recônditas do país, de forma a responder positivamente aos desafios do Governo, de tornar o distrito, pólo de desenvolvimento.
Fonte: Jornal Notícias
