Casas para “jovens graúdos” na Vila Olímpica
O Governo anunciou esta semana a venda de pelo menos 768 dos 848 apartamentos que compõem a Vila Olímpica.
Os mesmos serão brevemente vendidos a funcionários públicos entre 21 e 45 anos de idade e demais jovens que não sejam do Aparelho do Estado, ao abrigo de um plano de aproveitamento aprovado em Sessão do Conselho de Ministros. Dos 768 apartamentos, tipo três, a serem entregues aos novos inquilinos, 250 deverão ser pagos imediatamente ao valor já subsidiado de dois milhões e duzentos e cinquenta mil meticais, de acordo com dados fornecidos pelo porta-voz do Governo, Alberto Nkutumula.
As restantes 518 “flats” serão comercializadas a crédito de longo prazo, que poderá estender-se por 25 anos, devendo cada beneficiário pagar 7 800 meticais por mês, valor ligeiramente alto para os funcionários do Estado, considerando o nível dos seus ordenados.
Os beneficiários das casas serão seleccionados entre os vários candidatos esperados. Quanto a esta questão, Nkutumula disse que as candidaturas serão inicialmente feitas nos ministérios, devendo o Fundo de Fomento da Habitação (FFH) fazer uma pré-selecção, antes de se avançar para a decisão final, via sorteio público. Espera-se que todo este processo seja o mais transparente possível. Os remanescentes 80 apartamentos passarão para o Ministério da Juventude e Desportos, ficando directamente sob responsabilidade do Fundo de Promoção Desportiva, que os usará como seu meio de financiamento, uma vez que vão funcionar como apartamentos para hospedagem de selecções nacionais e estrangeiras de diversas modalidades desportivas.
Contas feitas pelo “O País”, baseiando-se nos critérios bancários de atribuição de crédito, apontam que para um cidadão pagar uma mensalidade de 7 875 Mt em amortizações da casa, deverá ter um rendimento mínimo mensal de 23 625 Mt. Nessa base, depreende-se que as casas só poderão beneficiar, na função pública, a pessoas com posições de chefia ou com habilitações e experiências especiais e não um simples funcionário. Ou seja, pessoas que possivelmente já tenham casa em detrimento da esmagadora maioria, num país onde o salário mínimo nesse sector é de 2 500 Mt.
Fonte: O País
