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Conselho de docentes da Faculdade de Engenharia

Em 2008, os docentes da UEM emitiram uma carta, na qual diziam:

1. O “Modelo de Bolonha”, cuja implementação na Europa não é ainda global, não só devido a algumas exigências específicas que não são fáceis de satisfazer, como também devido a protestos da massa académica de alguns países, está a ser, quanto a nós, introduzido na UEM de uma forma precipitada, sem que existam indicações claras e fundamentadas dos seus reais benefícios para a sociedade moçambicana. Assim, nós os docentes desta Faculdade, habituados a ponderar e fundamentar todas as nossas decisões, estamos receosos, senão mesmo cépticos, quanto ao sucesso da implementação acelerada de um modelo cujos méritos e deméritos ainda não estão suficientemente avaliados.

2. As opiniões dos representantes do sector produtivo que participaram no seminário realizado no dia 7 de Novembro indicam que a indústria continua a clamar por profissionais de engenharia com mais conhecimentos e treino do que os graduados que temos estado a formar com o currículo em vigor, cuja qualidade ainda consegue ser superior à que se atingirá com a adopção do 1º ciclo do “Modelo de Bolonha”, sendo necessário avaliar com maior profundidade as reais vantagens da sua introdução.

3. O posicionamento da Ordem dos Engenheiros de Moçambique, em particular, ao não aceitar a inscrição dos graduados do 1º ciclo para o exercício da profissão de engenharia, é algo que deve ser tido em conta e identificadas as possíveis soluções, já que, em termos estatutários, a condição de ingresso na OrdEM é que o graduado tenha concluído uma licenciatura de facto, no novo modelo apenas comparável ao 2º Ciclo, o que, na prática, corresponderia a um aumento da duração dos cursos que a faculdade muito recentemente procurou encurtar.

4. As constatações de duas visitas efectuadas por uma missão de consultores da Universidade Holandesa de TUDelft à Faculdade de Engenharia nos meses de Outubro e Novembro de 2008 indicam claramente não ser aconselhável que se proceda à restruturação dos actuais cursos de licenciatura sem que tenham sido (i) analisadas as necessidades actuais de graduados dos dois graus de formação que se pretende introduzir (bacharelato e mestrado), (ii) clarificadas as metas dos respectivos programas de ensino, quer em termos de qualidade, como em termos de quantidade, e (iii) reformulada a missão da Universidade Eduardo Mondlane, tendo em conta os programas de formação doutras instituições de ensino terciário em Moçambique, em particular os institutos médios.

5. O relatório da missão acima referida indica, igualmente, que as condições infra-estruturais (salas de aula, equipamento laboratorial, computadores e acesso à internet) são extremamente fracas e insuficientes para assegurar um ensino superior de qualidade utilizando o modelo proposto, o mesmo acontecendo com a investigação virada ao apoio ao ensino, que é praticamente inexistente.

Fonte: O País