Educação em Nampula vai rescindir contratos com alfabetizadores
DPEN deve quatro meses de salários aos alfabetizadores efectivos e três meses aos eventuais, a nível de toda a província de Nampula, e ainda não há datas para a solução deste problema
A Direcção Provincial de Educação em Nampula (DPEN) vai avançar com o processo de rescisão de contratos com cerca de 59 alfabetizadores de educação de adultos, de um total de 256 contratados para o efeito, devido ao elevado índice de desistência pelos alfabetizandos naquele ponto do país.
A título de exemplo, maior parte dos centros de alfabetização chega a registar apenas sete alfabetizandos, contra os cerca de 30 que haviam sido inscritos até aos finais de Março do ano em curso, altura do arranque das aulas para aquele subsistema.
Luísa Paulino Eduardo, técnica chefe de Alfabetização e Educação de Adultos na direcção provincial de Educação em Nampula e que deu a conhecer a informação ao nosso jornal, disse que a situação tem vindo a criar transtornos na medida em que, ciclicamente, há necessidade de formação de novas turmas, através da junção dos alfabetizandos que ainda continuam a frequentar as aulas. “Muitos alfabetizadores estão, neste momento, sem turmas, daí que se decidiu rescindir os seus contratos, porque não temos outra alternativa”, disse.
Por outro lado, a fonte reconheceu que a gestão da Alfabetização e Educação de Adultos naquele ponto do país encontra-se mergulhada num mar de dificuldades devido ao défice orçamental para o seu normal funcionamento. A fonte disse ainda que, presentemente, o sector tem dívidas de quatro meses de salários em atraso aos alfabetizadores efectivos, e três meses aos eventuais, a nível de toda a província de Nampula, e ainda não há datas para a solução deste problema. Cada alfabetizador aufere um subsídio de 550 meticais por mês, valor que é considerado irrisório.
Carlos Ramos, director do Centro e Instituto de Formação de Quadros e Educação de Adultos de Mutauanha, disse, numa recente visita efectuada ao local pelo governador da província de Nampula, Felismino Tocoli, que as metas de Dakar-2000, associadas às dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, onde se define a necessidade de redução da taxa de analfabetismo até abaixo dos 50 por cento, até ao ano de 2015, poderão estar comprometidas.
“Restam-nos apenas cinco anos para 2015, e três anos para a redução de analfabetismo na Ilha de Moçambique, de acordo com a declaração de 2009 da iniciativa Ilha de Moçambique Livre de analfabetismo, mas ainda estamos a encarar inúmeras dificuldades.”
Estatísticas em poder do nosso jornal referem que os índices de analfabetismo a nível da província de Nampula situam-se em 62,4 por cento, onde o distrito da Ilha de Moçambique é tido como o que maior número apresenta, com destaque para a população feminina.
Refira-se que, só na cidade de Nampula, estão instalados 86 centros de alfabetização e Educação de Adultos, com um total de 6.929 alfabetizandos.
Fonte: O País
