Manhiça: Criança vítimas de violência retornam à escola
Graças a campanhas de sensibilização implementadas nas comunidades do distrito da Manhiça, província do Maputo, pelo menos 41 crianças que haviam abandonado as aulas, na sequência de violência nas escolas, retornaram ao convívio estudantil, segundo uma nota de imprensa, enviada à nossa redacção pela ActionAid Moçambique.
Trata-se de um trabalho conjunto entre a ActionAid Moçambique, a Associação de Mulheres Desfavorecidas da Indústria Açucareira do distrito da Manhiça (AMUDEIA) e a comunidade da Manhiça, que implementam o projeto “Fim a Violência Contra a Rapariga na Escola” (SVAGS). Este trabalho é feito através de vários projetos de educação que visam reduzir as desistências da raparigas, assim como incentivá-las a regressarem à escola.
Segundo o mesmo comunicado, em 2010 foram identificados vários casos de abandono de raparigas nas escolas daquela vila. Por exemplo, das 1500 crianças matriculadas na Escola Primária Completa de Manguendene, pelo menos 30 crianças desistiram de estudar devido à violência física perpetrada na maioria dos casos por docentes.
Para inverter esta situação e oferecer-lhes auto-estima e segurança, foram criados “Clubes de Rapariga” nas escolas cujo lema é “Uma escola segura” e são executadas outras acções nas comunidades circundantes, dentre elas sessões de sensibilização dirigidas aos líderes locais, pais e encarregados de educação e comunidade em geral.
Aliás, este é o lema do projecto “Fim a Violência Contra a Rapariga na Escola” (SVAGS), a operar na Manhiça e financiado pelo Big Lottery Found da Inglaterra. Com a duração de cinco anos, o SVAGS é implementado desde 2010 e, como resultado, já foram recuperadas 41 crianças. Destas, 26 são raparigas e 15 são rapazes.
As escolas que registaram casos de violência e desistências são: EPC de Manguendene, com 28 casos, sendo 22 meninas e seis rapazes; EPC 7 de Abril, com oito rapazes; EPC de Maciana, com uma rapariga; EPC Eduardo Mondlane, com uma rapariga; EPC de Manchiana, com um rapaz; e EPC de Milalene, com um rapaz.
O mesmo comunicado diz que os líderes comunitários das localidades onde se situam estas escolas têm um papel preponderante na recuperação destas crianças.
Glória Augusto Bila faz parte das meninas recuperadas. Tem 11 anos de idade e frequenta a segunda classe na EPC de Manguendene e mora com os pais no Bairro 8º Congresso, na localidade de Nwamatibjana.
A menina explica que levava muita porrada em casa e na escola. “Em casa, os meus pais e meus irmão mais velhos batiam em mim sempre que falhasse alguma coisa. Na escola, a minha professora também me batia quando brincava na sala, quando errava o TPC, quando chegava à escola depois de se cantar o Hino Nacional, por isso desisti em 2009”, disse a menina, explicando que parou de ir à escola quando num desses dias chegou atrasada. Nesse dia, para além de levar porrada, a professora mandou-a sair da sala para chamar a mãe.
“Quando informei à minha mãe que devia ir à escola, disse-me que não tinha tempo, obrigando-me a voltar à escola sozinha. Voltei, mas a professora não me deixou entrar e, por essa razão, fiquei em casa”, disse Glória Bila.
Em 2010, a AMUDEIA realizou sessões de sensibilização sobre os direitos da criança e violência contra a rapariga na escola junto das comunidades. A mãe da Glória foi participar nesse encontro e depois da palestra prometeu mudar de atitude e levou a filha à escola.
Fonte: Jornal Notícias
