Numa viagem que levou 30 dias: Estudantes moçambicanos foram à Cuba de barco
Não é todos os dias que a gente decide fazer uma viagem de 30 dias de barco. É que não só é uma situação incómoda, como também não é prático, sobretudo porque estando no alto mar, não há formas de sair e dar uma volta, aproveitando o repouso dos pilotos, para também descansar.
Mas quando viajamos de avião ou de carro podemos ter esse momento de repouso, em cada escala. Para além de que a viagem, com estes dois últimos meios de transporte, não leva tantos dias assim.
Todavia, quando há uma razão muito forte que nos move acabamos consentido qualquer sacrifício que seja. Aconteceu isso há 34 anos com os estudantes e professores moçambicanos. Deixaram Moçambique em Setenbro de 1977, seguindo viagem marítima até à República de Cuba, no navio Rosia, um cruzeiro de grandes dimensões, então de propriedade e tripulação soviética. A 3 de Outubro do mesmo ano chegavam àquela ilha das Caraíbas.
Juntamente com um outro grupo que viajou de avião, totalizou 1131 o número de estudantes moçambicanos que iniciou a concretização do programa de cooperação entre os governos dos dois países (Moçambique e Cuba), fundado nos princípios vigentes naquela época, de internacionalismo proletário e solidariedade.
As primeiras escolas moçambicanas abertas na Ilha da Juventude – a então Isla de Pinos – com a designação genérica de ESBEC (escola secundária básica no campo) do sistema de ensino cubano, receberam os nomes de “Samora Machel” e “Eduardo Mondlane”, respectivamente com os números 36 e 34. As aulas iniciaram logo após a chegada do grupo, ido de barco e a inauguração oficial teve lugar no dia 14 de Outubro de 1977, pelos presidentes Samora Moisés Machel e Fidel Castro Ruz.
Segunda-feira, foi o 34º aniversário desta viagem marítima. Os estudantes que estiveram no cruzeiro dizem que valeu a pena o sacríficio. Formaram-se e, hoje, contribuem com o seu saber, para o desenvolvimento de Moçambique.
Fonte: Jornal Notícias
